ACESSEM

7 de ago. de 2010

UM GRANDE SÁBIO, SOCRATES

Considerado um marco na filosofia, nunca escreveu nada. Filho de um escultor - Sofronisco - e de uma parteira - Fenareta - nasceu em Atenas, onde viveu o apogeu e a crise da democracia. Levando a filosofia para a ágora, criticando os sofistas e atraindo a admiração dos jovens, Sócrates provoca também o desafeto de outros que o combatem por considerá-lo um perigo para as tradições da pólis e uma má influência para a juventude. Admirado e criticado, Sócrates foi figura controversa e causou problemas à sociedade da época. O que sabemos de Sócrates foi-nos legado por seus discípulos ou detratores. Dentre os discípulos, os principais são Platão e Xenofonte. Platão é o grande divulgador do mestre, colocando-o como o principal interlocutor de seus diálogos e enaltecendo sua sabedoria. Na crítica, o principal desafeto socrático era Aristófanes, um comediante. Valoroso, virtuoso e destemido, Sócrates foi levado a julgamento acusado de "não reconhecer os deuses do Estado, introduzir novas divindades e corromper a juventude". O julgamento, relatado por Platão no texto Apologia de Sócrates, apresenta-nos o pensador enfrentando seus opositores - o poeta Meleto, o político Anitos e Licão, um personagem de pouca importância - e mantendo sua integridade, suas convicções. Condenado por uma pequena margem de votos, Sócrates beberá cicuta e morrerá entre os seus amigos de forma serena e confiante. Poderia ter evitado a morte - ele podia fixar outra pena para si - mas não abriu mão de sua consciência, pois, escapar à morte seria admitir a culpa no processo. Que ela recaísse sobre seus algozes. Ele cumpriria a lei.
Mas, por que Sócrates incomodou tanto? Conversando com todos, discutindo e instigando seus interlocutores, o filho do escultor buscava a essência dos conceitos, a definição destes para fugir ao relativismo sofístico, tão comum naquele momento. A crítica socrática aos sofistas está tanto na cobrança pelos ensinamentos que eles dão quanto na "manipulação" que eles fazem dos conceitos para atender aos interesses de quem os contrata. Tal atitude mantém os homens na ignorância, sem desenvolverem o verdadeiro conhecimento. Aqui Sócrates entende sua missão: "libertar" os homens desta ignorância.

Sobre esta "missão", ela teria tido início praticamente depois da visita de um amigo seu, Querofonte, ao oráculo de Delfos. Este, querendo saber se havia homem mais sábio do que Sócrates, obtém uma resposta negativa dos deuses, ou seja, Sócrates é o mais sábio. Recebendo o relato do amigo, e não se considerando sábio, Sócrates fica pensativo e resolve descobrir por que é considerado sábio. Intrigado, aborda um político considerado sábio e, na discussão descobre que este na realidade se considera sábio, sem saber de nada. Entende então que ele - Sócrates - é mais sábio por saber que nada sabe, ou seja, tem consciência de sua ignorância. Lembrando-se da inscrição na entrada do Templo de Delfos, o "conhece-te a ti mesmo", e afirmando que "de tudo quanto sabe só sabe que nada sabe", Sócrates entende que o conhecimento está dentro do homem e que este o desconhece por não buscá-lo. Para encontrá-lo, ele entende que é necessário produzir-se um "parto", um "parto de idéias." Neste sentido Sócrates cria um método que, em homenagem a sua mãe, que era maieuta - parteira em grego -, chama-se maiêutico. "Parir idéias" é a proposta para o "conhecer-se a si mesmo", encontrar a essência dos conceitos e compreender do que se está falando. É deixar o mundo da opinião e alcançar a ciência.

QUESTÃO: o que significa, na perspectiva socrática, "deixar o mundo da opinião e alcançar a ciência"?


Acreditando que o homem deve buscar o conhecimento porque quem tem o verdadeiro conhecimento só pode praticar o bem. Conhecer a virtude é o objetivo da ciência, do verdadeiro conhecimento: só pratica o mal quem desconhece o que seja a virtude. A virtude, identificada como o bem, é a própria Razão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário